Documentos para viajar: o que levar em cada tipo de viagem — nacional e internacional
Da viagem de fim de semana para o litoral ao intercâmbio internacional. Lista completa e atualizada de documentos obrigatórios, recomendados e específicos por destino.
Esquecer um documento importante pode arruinar uma viagem antes mesmo de ela começar — desde a recusa no check-in do aeroporto até o impedimento de cruzar uma fronteira. O problema é que a lista de documentos necessários muda dependendo do destino, da idade do viajante e do tipo de transporte utilizado. Este guia organiza tudo de forma clara, do mais simples ao mais específico.
Viagem nacional — dentro do Brasil
Documentos de identidade obrigatórios
Para viajar dentro do Brasil, qualquer documento de identificação oficial com foto emitido por órgão público é aceito pela ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) e pelas companhias aéreas:
- RG (Registro Geral): o mais comum. Deve estar legível e sem rasuras. RGs com mais de 10 anos são aceitos, mas vale renovar se o documento estiver muito desgastado.
- CNH (Carteira Nacional de Habilitação): aceita como documento de identificação mesmo que o viajante não vá dirigir no destino.
- Passaporte: sempre aceito, nacional e internacionalmente.
- Carteiras profissionais com foto: OAB, CRM, CREA e similares são reconhecidas pela legislação como documentos de identidade.
- Documento Digital (gov.br): a Carteira de Identidade Nacional (CIN) no aplicativo gov.br é aceita pelas companhias aéreas nacionais para embarque.
Atenção com o RG digital: fotos do RG no celular não substituem o documento original para embarque. Leve o documento físico ou o documento digital oficial pelo aplicativo gov.br.
Documentos recomendados (não obrigatórios, mas importantes)
- CPF: não é documento de identificação, mas hotéis, pousadas e muitos passeios exigem o número para emissão de nota fiscal.
- Carteira de vacinação: obrigatória na prática para destinos na Amazônia, Pantanal e interior do Norte/Centro-Oeste (vacina de febre amarela).
- Cartão do SUS: se precisar de atendimento em UBS ou hospital público, agiliza o processo.
- Receitas médicas de uso contínuo: leve sempre com o CRM do médico impresso. Essencial para comprar medicamentos controlados no destino ou em caso de abordagem policial.
- Duas formas de pagamento diferentes: cartão de duas bandeiras (Visa + Mastercard) ou cartão + dinheiro em espécie para destinos remotos sem maquininha.
Menores de 18 anos viajando sem os pais
Este é o ponto mais sensível da viagem nacional. A legislação exige autorização notariada de ambos os responsáveis nas seguintes situações:
- Viagem de avião desacompanhado (obrigatório para embarque)
- Viagem internacional (obrigatório na fronteira e no aeroporto)
- Viagem com apenas um dos pais para o exterior (o outro responsável deve autorizar por escrito)
O documento de autorização deve ser lavrado em cartório, com firma reconhecida. Na prática, companhias aéreas exigem o documento para emitir o bilhete de menor desacompanhado. O custo médio é de R$ 30-80 em cartório.
Viagem internacional
Passaporte — o documento central
A validade mínima exigida pelo passaporte na data de entrada na maioria dos países é de 6 meses além da data de retorno. Se sua viagem termina em outubro, o passaporte deve valer até pelo menos abril do ano seguinte. Confira a validade antes de comprar as passagens.
O agendamento é feito online no site da Polícia Federal (pf.gov.br). Em períodos de alta demanda (novembro-janeiro), as vagas podem demorar semanas. Planeje com antecedência.
Visto — quando é necessário
O passaporte brasileiro tem boa aceitação internacional, mas nem todos os destinos são isentos de visto:
- Sem visto (entrar livre): quase toda a América do Sul, América Central, México, União Europeia (Área Schengen — 90 dias), Portugal, Japão, Coreia do Sul, Emirados Árabes, entre outros.
- Visto obrigatório (EUA): o visto americano B1/B2 (turismo e negócios) deve ser solicitado na embaixada ou consulado dos EUA. O processo inclui preenchimento do formulário DS-160, pagamento da taxa (aprox. US$ 185), agendamento de entrevista consular e comparecimento presencial. O tempo de espera pode chegar a 1 ano em São Paulo durante picos de demanda.
- Visto obrigatório (Reino Unido): após o Brexit, brasileiros precisam de visto para entrar no Reino Unido. O processo é feito online pelo site do gov.uk.
- China: visto obrigatório, com processo burocrático e documentos adicionais (itinerário detalhado, comprovante de hospedagem e passagens).
- Austrália e Nova Zelândia: vistos eletrônicos (ETA), solicitados online, com custo de aprox. AUD 20.
Onde conferir a lista oficial: o site do Itamaraty (gov.br/mre) e o portal da Polícia Federal mantêm listas atualizadas de países com e sem exigência de visto para passaporte brasileiro. Sempre verifique antes de comprar as passagens, pois as regras mudam.
Vacinas obrigatórias e recomendadas
A Caderneta Internacional de Vacinação (também chamada de Carteira Amarela ou CIVP) é um documento oficial emitido pelos postos de saúde do SUS de forma gratuita. Guarde-a junto com o passaporte.
- Febre Amarela: obrigatória para entrar em muitos países da África subsaariana e Ásia tropical. Também é exigida (na prática) para regiões de risco dentro do Brasil (Amazônia, Pantanal, interior do Norte e Centro-Oeste). Tome com no mínimo 10 dias de antecedência para fazer efeito. Dose única vitalícia.
- Meningite ACWY: exigida pela Arábia Saudita para peregrinos do Hajj e Umrah. Recomendada para viagens à África subsaariana.
- Hepatite A e B: recomendadas para qualquer viagem a países com saneamento básico precário.
- Tétano e difteria (dT): mantenha a dose de reforço em dia — recomendado a cada 10 anos.
- Covid-19: os requisitos variam por país e mudam com frequência. Verifique as exigências do destino com antecedência no site oficial do governo do país.
Seguro viagem — obrigatório ou apenas recomendado?
O seguro viagem é obrigatório por lei para entrar nos seguintes destinos:
- Área Schengen (Europa) — exigência dos consulados para concessão do visto
- Cuba — obrigatório para todos os visitantes
- Costa Rica — obrigatório desde 2010
- Equador — obrigatório
Mesmo quando não é obrigatório, o seguro viagem é altamente recomendado especialmente para:
- EUA: um atendimento de emergência pode custar US$ 20.000 ou mais sem seguro
- Destinos remotos sem hospitais próximos
- Atividades de risco: mergulho, trekking, esportes radicais
- Viagens longas: a probabilidade de imprevistos aumenta com a duração
Documentos para destinos específicos no Brasil
Amazônia e Pantanal
Além da identidade padrão, leve a Carteira de Vacinação com comprovante da febre amarela — alguns destinos exigem comprovação na entrada. Repelente com DEET 30%+ e mosquiteiro são equipamentos, não documentos, mas são tão essenciais quanto qualquer papel.
Fernando de Noronha
O arquipélago exige documento de identidade + CPF para o cadastro online obrigatório no site da administração do Distrito Estadual. A TAN (Taxa de Preservação Ambiental) é cobrada por dia de permanência — R$ 965 por pessoa para 7 dias (2026). Faça o cadastro antes de embarcar para evitar problemas no desembarque.
Países de fronteira (Uruguai, Argentina, Paraguai, Bolívia)
RG aceito na maioria dos casos
Para brasileiros, o RG é aceito para entrada no Uruguai e na Argentina em viagens de turismo. No entanto, cada país tem suas regras e o passaporte é sempre mais seguro. Verifique as regras atuais no site do Itamaraty.
Passaporte recomendado mesmo que não exigido
Embora o RG seja tecnicamente aceito nesses países, a passagem pela fronteira é mais tranquila com passaporte. Em caso de imprevistos ou situações de saúde, o passaporte facilita a identificação e o atendimento consular.
Como organizar seus documentos — físico e digital
Organização física
- Use uma pasta organizadora impermeável com divisórias plásticas transparentes
- Guarde o original e uma cópia de cada documento em lugares separados (mochila vs. mala despachada)
- Se viajar em grupo, cada pessoa deve ter seus documentos acessíveis individualmente — não concentre tudo em uma bolsa
Backup digital
- Fotografe todos os documentos com boa iluminação e salve no Google Drive ou iCloud (acesso pela nuvem mesmo sem o celular físico)
- Envie um e-mail para si mesmo com escaneamentos de passaporte, seguro viagem, passagens e hospedagem
- Use o Ao Leme para centralizar números de apólice de seguro, confirmações de reserva, contatos de emergência e itinerário — tudo acessível offline
Checklist final antes de qualquer viagem
- Documento de identidade válido (RG, CNH ou passaporte)
- Passaporte com validade mínima de 6 meses além do retorno (viagem internacional)
- Visto do destino solicitado e aprovado (quando exigido)
- Passagem confirmada — salvar offline no celular e imprimir uma cópia
- Reserva de hospedagem com endereço e telefone anotados
- Seguro viagem contratado (obrigatório para Schengen, Cuba, Costa Rica, Equador)
- Carteira de vacinação atualizada (febre amarela para Amazônia, Pantanal e vários destinos internacionais)
- Receitas médicas de uso contínuo com CRM do médico
- 2 formas de pagamento (preferencialmente 2 bandeiras diferentes)
- Dinheiro local em espécie para destinos remotos
- Contato de emergência anotado fora do celular (em papel)
- Autorização notariada de ambos os responsáveis (menores sem os pais)
- CPF anotado (para hotéis, passeios e cadastros nacionais)
- Backup digital de todos os documentos em nuvem
Regra de ouro: nunca viaje com o documento original como único exemplar. Sempre tenha uma cópia física guardada separadamente e um backup digital na nuvem. Se o original for roubado ou perdido, você ainda consegue se identificar e acionar o consulado mais facilmente.
O que fazer se perder os documentos na viagem
Acontece mais do que parece. Se você perder o passaporte no exterior:
- Registre um Boletim de Ocorrência na polícia local — é exigido para o processo consular
- Contate o Consulado ou Embaixada do Brasil mais próximo — eles emitem um documento de emergência (Passaporte de Emergência) para você retornar ao Brasil
- Tenha os números de contato consultares salvos: o Itamaraty disponibiliza lista em gov.br/mre
- Acesse seus backups digitais: a cópia escaneada ajuda no processo de identificação consular
Se perder documentos dentro do Brasil, você pode solicitar uma segunda via do RG no Detran do estado com comprovante de residência, foto e taxa de emissão (R$ 30-60, dependendo do estado).
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